Publicado por: andré | Janeiro 10, 2009

O pleonasmo divino

Esse blog está abandonado. Fato.

Dizem os ímpios que já fede há tempos.

Tal qual Jesus,  pleonasticamente grito para ele:  ”Lázaro,  saia para fora!”.

Efetivando a ressurreição, duas poesias antagônicas.

 

Nascente

   

Em silêncio, calado,

Imóvel,

Procuro no horizonte a fixidez que me falta.

Estrelas? Lua?

Não me movo.

Insisto, procuro.

O dia amanhece

E o Sol não me salva.

Sozinho me dou conta que ser real

É isto.
 

Poente

 Espero ainda.

Sentado num muro de uma rua pacata bem longe do centro

- excêntrica ? -

Assito àquilo que passa invisível.


Estendo a mão e sinto o vento que não bate.

Deixar-se cair?

Continuo olhando.

A vida passa,

O vento passa,

Até mesmo a rua passa.


Eu e meu muro continuamos.


Aceno um adeus tímido.


Lentamente

Funde-se ao horizonte

Aquela coisa misteriosa

Que convencionei chamar de eu.


Respostas

  1. Dialogando com Anjos

    Budismo (e)Terno

    “Tome, Dr., esta tesoura… e corte
    Minha singularíssima pessoa.
    Que importa a mim que a bicharia roa
    Todo o meu coração, depois da Morte?!”

    Eu sei que nenhum Buda haja que exorte
    Filosofia de urubu que voa,
    E calha de pousar bem na gamboa
    A que convencionei chamar de sorte.

    Dissolva-se, portanto, essa cantiga
    Que crê num Buda mórbido que diga
    Tal pranto de langor nauseabundo:

    “Mas o agregado abstrato das saudades
    Fique batendo nas perpétuas grades
    Do último verso que eu fizer no mundo!”


Deixe uma resposta

Sua resposta:

Categorias