Publicado por: andré | Março 23, 2008

Bem amigos da rede globo…

 Sem saber como começar, começo como Galvão Bueno. Nunca soube o sentido dessa pérola do jornalismo esportivo tupiniquim, extremamente fática, mas não enfática - e um pouco canalha (no sentido canino da coisa). Então acho que serve de começo. Resume um hábito meu: sem ter o que falar, falo nada, mas falo.

E depois do começo, o que vier vai começar a ser o fim.

Vai, então, um “manifesto” meio gauche, que sonha ser Carlos na vida.

Resolvi começar a escrever. Não poemas líricos habilíssimos ou contos altamente ambiciosos. Simplesmente escrever, sem mais. Algo como um Seinfeld literal, sem metade da graça e os já clássicos tênis impecavelmente brancos. De branco, só o fundo da tela.

Pra quê? Me pergunto. Por quê? Acontece, se é que isso vale de explicação, que abandonei o binômio causa/conseqüência há algum tempo. Escrevo sem motivos e sem ansiar resultados.

Não anseio méritos nem respaldo. Se meu texto não é bom, não me importo. Retifico-me: se não consigo nem distinguir um texto bom de um ruim, com que tábua de valores julgarei o que sai de minha cabeça?

Não procuro evitar clichês, fugir de chavões e de opiniões consideradas senso-comum. Não quero me aborrecer. Não quero ser o ourives sandeu que diz “morra eu também!”, “vibrando a lança, em prol do Estilo”. Pro diabo o estilo. Não tenho fé, não tenho o que professar. Não busco o ético, tampouco o estético. Não tenho objetivos sublimes – “hercúleos e belos” – que me guiem e norteiem “minha prosa” (algo tão abstrato quanto “prosa” não pode ser precedido por um pronome possessivo).

Não quero a língua sublime e acadêmica; e não quero o que sai da boca do povo. Me dê um cigarro – Dê-me um cigarro? Tudo a mesma bosta. Não fumo.

É um capricho meu permitir-me que eu não tenha opiniões formadas sobre nada e limitar-me a repetir como um louco que “não sou nada, não posso querer ser nada” como resposta a qualquer pergunta que me façam. Não sou nada mesmo. Mas, definitivamente, trago em mim todos os sonhos do mundo.

Escreverei, portanto, como um sonhador que se apodera de todos os sonhos do mundo e os concentra no breve instante de escrever. Sinto-os todos com as palmas das mãos, mas não sou burro o suficiente para acreditar que posso agarrá-los. Tenho consciência de que não existe algo que poderá, algum dia, ser efetivamente meu. Se não sou nada, não posso almejar nada além disso.

Entretanto, posso sonhar. E, desse modo, escrever. É meu modo de manter-me no instante que sempre insiste em passar.


Respostas

  1. Que Pasquale me ajude!
    Seria metalinguagem,
    ou apenas bobagem,
    um comentário meu
    que a um comentário meu
    alude?


Deixe uma resposta

Sua resposta:

Categorias